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sábado, 17 de outubro de 2009

URUGUAI - A REPÚBLICA DAS CONTRADIÇÕES

URUGUAI: A REPÚBLICA DAS CONTRADIÇÕES
O país que é vive em perpétua contradição com o país que foi. O Uruguai adotou a jornada de oito horas de trabalho antes dos Estados Unidos e quatro anos antes da França; mas hoje em dia encontrar trabalho é um milagre, e maior milagre encher a panela trabalhando apenas oito horas. Em matéria de contradições entre o poder e a realidade, ganhamos os campeonatos mundiais que o futebol nos nega. O texto é de Eduardo Galeano.
Eduardo Galeano
Os uruguaios, temos certa tendência a crer que nosso país existe, embora o mundo não o perceba. Os grandes meios de comunicação, aqueles que tem influência universal, jamais mencionam esta nação pequenina e perdida ao sul do mapa.

Por exceção, meses atrás a imprensa britânica ocupou-se de nós, na véspera da visita do príncipe Charles. O conceituado jornal The Times informou aos seus leitores que a lei uruguaia autoriza o marido traído a cortar o nariz da esposa infiel e a castrar o amante. The Times atribuiu à nossa vida conjugal aqueles maus costumes das tropas coloniais inglesas. Agradecemos a amabilidade, mas a verdade é que tão baixo não caímos. Este país bárbaro, que a aboliu os castigos corporais nas escolas 120 anos antes da Grã-Bretanha, não é que parece ser quando visto de cima e de longe. Se os jornalistas descessem do avião, poderiam ter algumas surpresas.

Os uruguaios, somos poucos, nada mais do que três milhões. Cabemos, todos, num só bairro de qualquer das grandes cidades do mundo. Três milhões de anarquistas conservadores: não nos agrada que ninguém nos mande e nos custa mudar.

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